15-12-1998. Análise ACRESCENTADA da semana de 7 a 13 de Dezembro de 1998 do Serviço Analítico-informativo da REDE BASCA VERMELHA
UM DIAGNÓSTICO LÚCIDO E ACUSSADOR: ODEIAM-NOS POR SERMOS BASCOS. Um governo delinqüente (o espanhol) que engendra logicamente súbditos fascistas. O GOVERNO DA ESPANHA CONTINUA A VIOLAR A LEI. A corrupçom espanhola fede e zanga até na Europa. O diário EL MUNDO envilece-se para ser bom espanhol imperialista. O repto de Durango e o giro da burguesia basca para Euskádi e a liberdade. O problema do Estado próprio.
Na Terça-feira 8, em Madrid, umha faca fascista espanhola e a cúmplice negligência da polícia espanhola ceifárom a vida de um jovem basco nas portas do Estádio Vicente Calderón em que ía celebrar-se um jogo da Taça da UEFA entre a Real Sociedade e o Atlético de Madrid.
No Sábado 12 EL PERIÓDICO DE CATALUNYA entrevista Iñigo Idiáquez futebolista da Real Sociedade e amigo do assassinado Aitor Zabaleta. Idiáquez fai um lúcido diagnóstico do acontecido:
"O que se passou em Madrid era premeditado. Há que perguntar ao responsável do dispositivo de segurança como o preparou. Deixou os nossos torcedores a disposiçom dos radicais fascistas do Atlético. NOM SEJAMOS CÍNICOS. FOI UM TEMA POLÍTICO. O DESPORTO TEM POUCO A VER COM ISTO. Somos bascos e há muita gente em Madrid e noutros lugares, como Saragoça e Valhadolid, que nos tenhem ódio e nom podem evitá-lo".
Pergunta Mario Ruiz, o entrevistador de EL PERIÓDICO: "Houvo um ambiente diferente ao de outras vezes no Calderón?"
Resposta: "Houvo, durante a semana já se nos advertiu que havia de ser um jogo diferente. Inclusivamente dixem a Aitor que nom levasse nem a sua camisola nem o seu cachecol habituais, para evitar problemas. E NO CAMPO SENTIM MEDO. FOI IMPRESSIONANTE VER 40.000 PESSOAS, INCLUÍDOS PAIS DE FAMÍLIA, CANTANDO "puto basco quem nom pular". FOI UMHA MANIFESTAÇOM DE ÓDIO COMO NOM TINHA VISTO NA MINHA VIDA".
Lúcido diagnóstico. Reiterado polo porta-voz das claques da Real Sociedade na conferência de imprensa em que esta manhá da Segunda-feira 14 comunicárom o seu plano de actos de homenagem ao assassinado Aitor Zabaleta. Nítico, rotundo, esse porta-voz: "A Aitor assassinárom-no exclusivamente polo facto de ser basco".
Lúcido diagnóstico. Anos de "jornalismo de guerra" espanhol em imprensa, televisom e rádio tenhem gerado, ao jeito goebbelsiano um ódio irracional e profundo aos bascos. De novo o bloco de classes dominante espanhol dirige contra os bascos o fascista modo "as energias psíquicas de umha massa média que segue com excitaçom um jogo de futebol ou que vibra com umha opereta de
pacotilha" (Wilhelm REICH dixit in "Psicologia de masas y fascismo", Editorial Ayuso, Madrid, 1972, página 49)
Mas o problema é muito sério e exige umha muito cuidadosa caracterizaçom do mesmo que ultrapasse as meras tautologias. Tautologias como dizer: o juancarlismo é a prolongaçom do franquismo, o Estado actual espanhol é apenas a metamorfose nazifascista do Estado espanhol franquista, ERGO É LÓGICO QUE FOMENTE O FASCISMO NOS SEUS CACHORROS.
Cumpre afinarmos mais. Farei aqui só uns avanços, à espera da análises mensal de Dezembre onde disporei (e usarei) de mais espaço para o tema.
Lembrarei aqui um outro texto do livro de Reich que citei acima. O texto em que Reich sublinha que:
"Para explicarmos o roubo pola fame ou a greve pola exploraçom, nom se precisa de umha explicaçom psicológica suplementar. Em ambos os casos a ideologia e a acçom correspondem à pressom económicas; situaçom económica e ideologia correspondem-se. A psicologia burguesa costuma nestes casos querer explicar mediante a psicologia por que motivos, CHAMADOS IRRACIONAIS, se foi à greve ou se roubou, o que conduz sempre a explicaçons reaccionárias. Para a psicologia marxista a questom é exactamente o contrário: o que cumpre explicar nom é que o famento roube ou que o explorado se declare em greve, senom POR QUE A MAIORIA DOS FAMENTOS NOM ROUBAM E POR QUE A MAIORIA DOS EXPLORADOS NOM VAM À GREVE". (op. Cit. Página 32, as maiúsculas som minhas).
A imprensa espanhola, as emissoras de rádio espanholas e as televisons espanholas tenhem-se esforçado para "explicar" que o assassinato do jovem basco, torcedor e amigo da equipa de futebol donostiarra foi UM CASO ISOLADO, UM ACTO IRRACIONAL. Um acto de "violência urbana" dixo o Ministro do Interior Mayor Oreja. Dixo-o com o seu característico ar de asno solene que profere necidades como se enunciasse a descoberta da lei da gravitaçom.
Irracional?. Segundo se ver. Se os meios de comunicaçom de massas espanhóis levam anos e anos a fazerem "jornalismo de guerra" e convencendo os seus leitores, ouvintes e telespectadores de que os bascos som absurdos e ignorantes separatistas, insolidários, egoístas, chantajadores, irracionais, racistas, violentos, amparadores e animadores de seqüestradores e assassinos. É irracional "eliminar" um basco se houver ocasiom? É tam estranho que a fraca distinçom "ETA nom, bascos sim" tenha sido apagada perante a "evidência", trombeteada polos meios de comunicaçom de massas espanhóis e polos porta-vozes do PP em Euskal Herria, de que AGORA a esmagadora maioria dos bascos (PNB, EA, IU, somados a HB) "estám a obedecer a ETA", de que AGORA "manda ETA"?
Pois. O problema nom é explicar como esse jovem fascista espanhol matou Aitor. O problema é explicar por que os jovens fascistas espanhóis nom matárom já muitíssimos mais bascos. Por que nom respondêrom ainda suficientemente aos estímulos de ódio aos bascos que permanentemente lhes inculcam os meios de comunicaçom de massas espanhóis e, aproveitando algumha visita da claques futebolísticas bascas, nom tenhem desencadeado já umha matança, um "progrom".
Nom resulta estranho que nengum "intelectual" espanhol tenha reparado que o Regime espanhol actual está a utilizar os bascos como o regime alemám nazi utilizava os judeus? Quer dizer, como bode expiatório. Como "culpáveis sobre os que focar o ressentimento e a frustraçom dos desempregados ou dos mal pagados. Hoje mesmo, nesta Segunda-feira 14 em que escrevo, o jornal espanhol LA RAZÓN publica umha capa nesse senso: a fotografia de um homem novo, identificado como professor pola presença de um globo terráqueo e um semicírculo graduado, com a boca tapada, amordaçada por umha bandeira basca. E com este cabeçalho: "O GOVERNO BASCO EXPULSARÁ OS PROFESSORES QUE NOM FALEM EUSKERA".
Nesta semana passada cumprírom-se cem anos do momento chave do DESASTRE espanhol. Em 10 de Dezembro de 1898 assinou-se em Paris o Tratado de Paz entre Espanha e os Estados Unidos, polo qual se consumou a perda espanhola de Cuba, Porto Rico e Filipinas. O ABC do Domingo 13 lembrava o facto numha aflita reportagem intitulada: "Cumprem-se cem anos do Tratado de Paris, em que foi demolido o império espanhol".
Em minha opiniom, o bloco de classes dominante espanhol está actualmente aflito pola vertigem que lhe produz a sensaçom de está próximo um outro DESASTRE como o de há um século. A vertigem de que Euskal Herria, Galiza e os Países Cataláns recuperem a sua independência separando-se do Estado espanhol.
Nom julgo um exagero a hipótese de que essa lembrança dolorida do DESASTRE passada como anúncio de um outro DESASTRE FUTURO seja um dos fundamenteos dessa raiva, o medo e a ira espanholas contra os bascos. Lembre-se que a lembrança dolorida do Tratado de Versalles como anúncio de desastre futuros foi a alavanca utilizada polos nazis alemáns para focalizarem o ódio contra os judeus.
Há na imprensa escrita espanhola destes meses passados ecos inconfundíveis do pesimismo espanhol de há cem anos. Em 1896 escrevia Ángel Ganivet o seu "Idearium espanhol". Em que dizia:
"Algumhas almas sentimentais dirám com certeza que o recurso é brutal de mais, mas, em presença da ruína espiritual da Espanha, cumpre pôr umha pedra no lugar do coraçom, e cumpre deitar se for preciso um mihom de espanhóis aol lobos, se nom guigermos deitar-nos todos aos porcos" (Ángel Ganivet: Idearium español, 1897. Cito da ediçom em Barcelona de Editora Bruguera em 1983, página 36). Nos anos quarenta, os fascistas espanhóis que "ensinavam" na Universidade de Franco usavam essa cita de Ganivet para "justificar" o milhom de mortos acumulados pola guerra de 1936-39 e polos centenares de milhares de fusilamentos posteriores ordenados por Franco.
Até aqui as minhas pinceladas prévias. Voltarei sobre o tema.
Lembre-se que o Governo espanhol actual ampara os corruptos do seu partido e continua a amparar e disimulando ante as crescentes denúncias e ante as crescentes provas dos latrocínios imensos, dos subornos oceánicos, das vigarices ingentes, do saqueio pirático que ALI BABA Felipe González e os seus 40.000 ladrons do PSOE tenhem perpetrado durante o perído 1982-1996. Período do FELIPATO de Sevilha cujo recorde inesquecível som os roubos da Expo, os roubos dos Jogos Olímpicos de Barcelona, os roubos do AVE, os roubos dos fundos reservados. Nesta semana passada aflorárom mais provas das façanhas saqueadoras, dos latrocínios do PSOE de Felipe González e de Guerra e de Serra e de Almunia e de Borrell e de Chaves e de Bono e de Maragall e de Barrionuevo e de Vera. De toda essa matilha de ladrons, estafadores e criminosos.
Na passada Quarta-feira 9 o jornal EL MUNDO editorializava comentando os dados de outras "vigarices" do PSOE denunciadas por ele nesse dia. Nesse editorial dizia:
"As revelaçons de EL MUNDO sobre a Filesa suíça ponhem em evidência a existência de todo um grande plano hidrológico da corrupçom, com os seus sucessivos mananciais, fontes, afluentes, braços, canais, meandros, esteiros, rios e grande bacias. A sua peculiaridade consiste em que este sistema fluvial funcionava como outro dipo de caudais que nom eram os do nunca rematado plano hidrológico do PSOE. A trama do rio Filesa configurava umha dessas grandes bacias, porventura a maior, cujo líquido elemento nom gerava energia hidráulica mas sim servia para mover a maquinaria política e eleitoral socialista.
Graças ao trabalho de pesquisa deste jornal e à posterior acçom da Justiça, ficou desembrulhada a rede de extorsom de banqueiros e empresários montada na Espanha por Navarro, Sala, Oliveró e Flores, condenados polo Tribunal Supremo a diversas penas de cárcere. Os quatro gozam do terceiro grau mercê da vergonhenta cumplicidade das administraçons penitenciárias da Generalitat e o Governo central, que deveriam reconsiderar as suas decisons umha vez vistas estas revelaçons.
Agora, mercê do trabalho dos juízes Paul Perraudin e Tersa Chacón pudémos aprofundar na chamada Filesa suíça, que nom mais do que umha outra trama paralela à moda espanhola para recaudar, ocultar e branquejar dinheiro de procedência delitiva".
É um facto notório que a intensidade, a dedicaçom e o esforço dedicados polo actual Gaverno do PP a perseguir estes ladrons do PSO fôrom perfeitamente descritíveis. Claramente insuficientes.
E, para além do mais, o actual Governo do PP continua e alarga os planos de violaçom da lei que herdou do Governo de ALI BABA. Refiro-me, é claro, à continuada violaçom das leis que estabelecem os direitos para os prisioneiros políticos bascos.
Porque todos os dias viola a Constituiçom espanhola e a Lei penitenciária e espezinha os direitos dos prisioneiros políticos bascos. Fai troça, aliás, cada dia da vontade da maioria absoluta mais folgada dos bascos exprimida em sede parlamentar. E da recomendaçom do parlamento Europeu. E das petiçons dos poucos espanhóis sensatos que semelham ficar ainda.
Miguel Herrero de Miñón, por exemplo. Que no Sábado publicava em EL PAÍS um artigo intitulado "RAZONS A TEMPO" em que, entre outras cousas, dizia:
"Do terrorismo nom pode pedir-se, para já, mais do que nom fazer. E isso deveria bastar para que umha política penitenciária generosa e imaginativa resolvesse, para o Natal, o problema da dispersom de presos. A opiniom pública mais sensível à paz aplaudiria medidas semelhantes e redobraria a sua pressom para tornar o indifinido em definitivo. E, ao fio da paz que se tece todos os dias em que as armas brilham polo seu silêncio, corresponde ao Governo idear e pôr em prática medidas de graça ou reconciliaçom política. Umha negociaçom que está muito bem distinguir, logicamente, do processo de paz, mas que na prática deve seguir este para dar-lhe senso e, em conseqüência, consolidá-lo.
Para todo isso conta-se com tempo suficiente, mas nom infinito."
Herrero de Miñón vincava, além do mais, que:
" Aliás, a meu modesto entender, seria extremadamente perigoso chegar às eleiçons municipais sem um processo de paz fechado e umha negociaçom política bosquejada. Os sectores mais radicais seriam os beneficiários disso à hora de consolidar um poder municipal.
Lembro que, quando há mais de um anos, se optou por isolar Herri Batasuna, assinalei, com escándalo de muitos, que, para além de impossível, a medida era errónea e provocaria umha frente "abertzale". Às provas é que me remeto. Hoje insisto em que, se nom se fala e age a tempo, nos encontraremos com umha nova vaga de radicalidade, provavelmente nom armada, mas, por isso mesmo, muito mais ampla, profunda e difícil de combater."
Aznar nom só nom escuita as sensatas advertências de Herrero de Miñón. Também nom continua em nada o exemplo do chefe do governo inglês de quem di que é tam amigo.
Blair continua a libertar prisioneiros políticos irlandeses EMBORA ESTEJA BLOQUEADO O PROCESSO DE DESARME. Polo contrário Aznar boicota o processo de paz basco EMBORA LEVE MAIS DE TRÊS MESES DE CESSAR-FOGO EFECTIVO.
Aznar viola a Lei e presume disso. Como o seu Ministro de Propaganda e Guerra Jaime Mayor Oreja. Ambos os dous ignoram os factos. Ambos os dous ignoram os sintomas.
O Governo espanhol semelha afundido na sua própria estupefacçom e continua os piores tiques fascistas da ditadura de Franco. Por exemplo: o dontancredismo. O deixar que os problemas apodreçam. O nom fazer nada. Energicamente, firmemente, impertutbavelmento, isso sim.
Por quê? Pois porque Setién di a verdade. A mesma verdade que sustém a maioria absoluta do povo basco, política, sindical e social: a de que Espanha mantém no seu poder umha série de prisioneiros políticos bascos.
O próprio Governo de Aznar se atraiçoa a si próprio quando NOM APLICA A LEI PENITENCIÁRIA COMUM a esses presos. E NOM A APLICA por razons políticas. E o mesmo Aznar di que reconsiderará o que fará com os presos SEGUNDO FOR O PROCESSO DE PAZ. Ou seja, segundo razons políticas.
Triste papel, miserável papel, canalhesco papel o de EL MUNDO. O seu director Pedro J. Ramírez, que presume de liberal e de respeitoso com as liberdades, esfregou o seu nome polo esterco da colaboraçom com um aparelho penitenciário tam fascista e genocida OU MAIS do que o turco. Que bem lhe mediu o militar turco aquele que lhe esfregou nos focinhos que o seu Estado espanhol violava contínua e impudicamente os mesmos direitos cuja violaçom Pedro J. Ramírez reprovava ao Estado turco!
"As expectativas de paz que se levantárom em Euskádi do anúncio de cessar-fogo por ETA tenhem repercutido de maneira favorável na percepçom económica dos cidadaos que melhorou de maneira ostensível, segundo revela um informe das Caixas de Aforro Basco Navarras".
No mesmo número publicava umha reportagem que principiava assim:
"Os bascos mostram o maior optimismo em 15 anos sobre a economia. Os cidadaos bascos mostram o grau de optimismo mais elevado dos quinze últimos anos no que di respeito à situaçom económica actual e a sua previsível evoluçom, segundo revela um inquérito realizado pola Federaçom de Caixas de Aforro Basco-Navarras. O inquérito também confirma umha predisposiçom das famílias à poupança ao tempo que detecta que as esperanças de paz em Euskádi contribuem pra a confiança na economia. As expectativas dos cidddaos bascos e a sua confiança na situaçom económica geral acham-se no seu melhor momento desde 1984, segundo o Índice de Conjuntura do Consumidor (ICC), que elabora a Federaçom de Caixas de Aforro Basco-Navarras. Este aumento da confiança, assinala o informe, "deve-se, em parte, à sua percepçom de que a situaçom do país tem melhorado e a sua esperança de que vai continuar assim nos próximos meses".
No Sábado o mesmo jornal publicava umha outra informaçom que começava assim:
"Aznar pede aos empresários bascos que transmitam "sossego" para afiançar a paz. O presidente do Governo mantém freqüentes contactos com os líderes patronais.
O presidente do Governo pediu aos empresários bascos que transmitam "sossego" à sociedade para afiançar a paz após o cessar-fogo indefinido decretado po ETA há quase três meses. José Maria Aznar reuniu-se com o Círculo de Empresários Bascos e com Confebask e mantém aberto de forma permanente um canal de comunicaçom com os líderes empresariais da comunidade autónoma".
EL CORREO ESPAÑOL dizia também que
"José María Aznar estivo dez dias antes das eleiçons com o Círculo de Empresários Bascos, um selecto foro que agrupa os directivos das principais firmas da comunidade autónoma, e depois das eleiçons com Confebask, a confederaçom que representa as patronais de Alava, Guipúscoa e Biscaia. No caso do Círculo, o convite partiu de Aznar; no de confebask, dos próprios empresários. Aliás, e à margem destas reunions de carácter formal, o Governo mantém aberta de maneira permanente umha linha quente sobre o cessar-fogo e a sua gestom com os líderes empresariais."
Nom faltava no texto de EL CORREO o pormenor sobre as esperanças de Aznar:
"Aznar, "muito esperançado" polo processo aberto a raiz do cessar-fogo de ETA, mostrou-se disposto a "fazer o que figer falta" para consolidá-lo, já que "percebeu" a "enorme esperança" suscitada no seio da sociedade basca polo cessar-fogo indefinido decretado pola organizaçom terrorista no passado 16 de Setembro. Apesar de todos esses contactos nem Aznar nem o seu Governo semelham ter calibrado bem a mudança que se produziu na burguesia basca. A mudança pola qual essa burguesia dá sintoma de ter assumido que quiçá lhe dê mais benefício apostar por umha Euskal Herria independente (sempre que continue a ser capitalista)".
Julgo necessário refrescar a memória sobre factos acontecidos na semana anterior à que estamos a analisar. Acontecidos na semana que acabou no domindo 6.
Nesse Domingo EL CORREO ESPAÑOL publicou um outro dos seus editoriais comprimidos dos seus APONTAMENTOS, intitulando-o À ESPERA e dizendo:
"Quase três meses depois do seu início, o cessar-fogo de ETA suscita entre os empresários bascos umha "enorme esperança", segundo José Guillermo Zubia. O secretário geral de Confebask agoira que "se se consolidar" o caminho empreendido para a paz, "haverá umha explosom económica" em Euskádi. Quer dizer, que o País Basco, desde que libertado da lacra da violência, atrairia investimentos que até agor fugiam e surgiriam vocaçons empresariais sem medo."
E no mesmo número publicava umha entrevista com o Secretário Geral da patronal basca CONFEBASK usando como significativo título esta frase do entrevistado: "HAVERÁ UMHA EXPLOSOM ECONÓMICA SE SE CONSOLIDAR O CESSAR-FOGO"
Transcrevo estes reveladores fragmentos:
" A voz fa patronal basca aguarda com expectaçom o Governo PNB-EZ com apoio de EH"
"Confebask tem dito que o quadro estatutário a satifai e nom se deve ultrapassar. A respeito de Lilzarra, os nacionalistas som por ultrapassá-lo. O quê acham disso? Exactamente nom dixemos isso, mas é igual. Nom nos corresponde estabelecer limites. Esse elemento é chave, mas é umha responsabilidade política. Sim exigimos que o processo seja levado com seriedade, audácia e visom. Portanto, com um esquema que dê estabilidade. Ora, se as cousas ficarem cá ou lá, nom o criticaremos. O que nos importa é o processo de paz em si mesmo."
E, finalmente, EL CORREO ESPAÑOL publicou na Quinta-feira 3 de Dezembro umha informaçom intitulada: "OS EMPRESÁRIOS FORMULAM A EH QUE DEVE PERDURAR A ESTABILIDADE PARA CRIAR RIQUEZA. Otegi explica ao Círculo de Empresários a sua proposta para mudar o quadro jurídico".
Aviso a quem me lê que o Círculo de Empresáriios é o núclio duro do empresariado basco-espanholista. Muito poderoso, muito ligado a Espanha e com poder EM Espanha (Arzalluz chegou a dizer que "estes mexem um dedo e muda-se a Constituiçom espanhola"). Actualmente está presidido por um peneuvista "mole", António Basagoiti.
Na informaçom de EL CORREO ESPAÑOL lia-se que
"O Círculo de Empresários Bascos e dous dos principais líderes da esquerda abertzale simbolizárom ontem, com um jantar no hotel López de Haro de Bilbau, o novo palco aberto em Euskádi após a Declaraçom de Estelha e o cessar-fogo de ETA. No encontro privado, propiciado pola agrupaçom de directivos que preside Alfonso Basagoiti, participárom quarenta membros do selecto clube e os parlamentares de Euskal Herritarrok –plataforma herdeira de Herri Batasuna— Arnaldo Otegi e Rafa Díez Usabiaga."
E que
"Otegi, que levou o peso da conversa pola parte de HB, e o número um do sindicato LAB, expugérom a sua visom da nova etapa. Ambos deixárom clara a vontade da esquerda radical de propiciar umha mudança no quadro jurídico que contribua para a "democratizaçom" do sistema. Também se estendêrom na ideia da necessidade de respeitar o ámbito de basco de decisom e sobre as suas formulaçons à volta da pacificaçom."
E que:
"Vários dos empresáriios participantes no acto coincidírom na "enorme capacidade de convicçom" mostrada por Otegi, que nom variou o seu vestuário habitual –sem gravata— para acodir à histórica reuniom. O jantar e a tertúlia durárom quatro horas –de duas a seis— e foi um êxisto de assistência, já que habitualmente apenas acodem a este tipo de actos umhas 25 pessoas, a metade dos integrantes do Círculo."
Recolhim deliberadamente informaçons de EL CORREO ESPAÑOL porque é claramente o órgao basco-espanholista por excelência.
E porque é significativa a sua atençom ao mais do que perceptível da burguesia basca ante a perspectiva de umha Euskal Herria independente. Continuaremos atendendo este aspecto chave da situaçom basca.
Por exemplo: Vai o MLNB realizar essa mesma migraçom colectiva ao espaço-tempo INTERNET? Vai? Pensou entom o quê fazer com os tecnofobos que tem enquistados em todos os níveis?
Nom é um problema sem desprezível. Mas é muito menos grave e difícil do que o problema de desenhar o Estado basco próprio que cumpre conseguirmos rápido.
E de cuja construçom temos de pensar e falar cada vez mais.
Justo de la Cueva
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